Não me lembro mais em que ano foi que dirigi um único show para FÁTIMA GUEDES. Excepcional compositora, e cantora de voz linda e cheia de recursos. Eu tinha planejado dizer pelos menos uma três letras dela na SOPPA, mas acabei tendo que me contentar apenas com Santa Bárbara. Tenho uma fita gravada daquele show. Nela posso reconhecer minha voz, no momento do bis ao fim do espetáculo, gritando insistentemente, como um fã alucinado:
-Absinto! Absinto!!
Transcrevo as duas.
Santa Bárbara
Fátima Guedes
Santa Bárbara, dos tempos violentos,
Vosso rosto me aparece num clarão
Quando um raio rasga a imensa escuridão.
Muitos ventos, muitos ventos
Passam por meu coração
Na carícia quase bruta
Do poder de vossa mão.
Senhora me iluminai,
Clareai meus pensamentos.
Santa Bárbara dos tempos violentos!
Vejo em vossos elementos:
A chuva não vai parar
Até ter deixado limpos meu corpo e minha alma.
Dona dos meus temporais,
Senhora de olhos cinzentos.
Santa Bárbara dos tempos violentos!
Absinto
Fátima Guedes
Eu bebo
essas águas passadas
feito um vinho
que não há de voltar do seu caminho
pra acabar com essa sede
que ainda sinto.
Um absinto
de mágua, de insônia e de saudade
como se enlouquecendo essa metade
voltasse
a metade que foi contigo
Eu bebo
quando fico assim desesperada
quem me dera ficar apaixonada
pra encontrar o outro lado do moinho.
Eu me embriago porque
meu futuro é muito vago
eu sinto a tua falta do meu lado
eu bebo à tanta ausência de carinho.
Águas passadas
que vinho amargo
que gosto tão ruim
e eu tenho sede
eu tenho medo
do que será de mim.
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