Neste momento, o personagem deveria ser apresentado com uma biografia em forma de
medley. Procurei feito um louco letras com a qual me identificasse, que fossem ao mesmo tempo descritivas e reveladoras. Tentamos de tudo: Cariocas, da Adriana Calcanhoto; Pau de Arara, do Carlinhos Lyra e até Paratodos, do Chico. Mas nenhuma se revelou tão eficaz quanto Na Batucada da Vida, de Ary Barroso e Luiz Peixoto. Trata-se de uma história de vida completa e descrita em apenas dezoito versos. Eram raríssimas as compositoras mulheres naquela época e também ainda era muito pouco comum um compositor expressar-se no feminino. Ary e seu parceiro me ofereceram sua alma feminina numa bandeja de prata e ali estava a vida que eu queria contar. Nunca ouvi uma gravação com o próprio Ary e existem várias versões da letra. Escolhemos dizer a de Tom Jobim.
No dia que eu apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo da orgia
De noite teve lua e batucada
Que acabou de madrugada em grossa pancadaria
Depois do meu batismo de fumaça
Mamei um litro e meio de cachaça, bem puxados
E fui adormecer como um despacho
Deitadinha no capacho, na porta dos enjeitados
Cresci olhando a vida sem malícia
Quando um cabo de polícia despertou meu coração
E como eu fui pra ele muito boa
Me largou na vida à toa
Desprezada como um cão
E hoje que eu sou mesmo da virada
E topo qualquer parada por um prato de comida
Irei cada vez mais me esmulambando
Seguirei sempre cantando
Na batucada da vida
Outras Letras
Starry Night
Com Açúcar e com Afeto
Feitio de Oração
Comprimido / Cotidiano
Jorge da Capadócia
Santa Bárbara - Absinto
Roteiro Soppa de Letra
Uma Palavra
Febril
Traduzir-se
Poema da Lesma
Metáfora
Canção de amor / Sentimental
Miss Suéter
Maria Que Ninguém Queria