É com imenso prazer que me sirvo três vezes da consagrada dupla João Bosco & Aldir Blanc. Os versos de suas composições, de sabor acentuadamente carioca, são responsáveis por alguns momentos muito divertidos no espetáculo. E é escutando/vendo
MISS SUÉTER, que a maioria das platéias começa a relaxar e a deixar-se levar pelo riso. E é aí também que, seguindo a orientação de Naum, a cena pela primeira vez apresenta um narrador e sua personagem.
Fascínio tenho eu por falsas louras!
Ah, a negra lingerie...
Com sardas, sobrancelhas feitas à lápis,
E perfume da Coty.
Na boca dois pivots,
Tão graciosos entre jóias naturais.
E olhos, quais minúsculos aquários
De peixinhos tropicais.
Eu conheço uma assim,
Uma dessas mulheres
Que um homem não esquece.
Ex-atriz de Tv,
Hoje é escrituraria do INPS.
E que, dias atrás,
Venceu lá o concurso de Miss Suéter.
Na noite da vitória, emocionada, entre lágrimas, falou:
"- Nem sempre a minha vida foi tão bela,
Mas 0 que passou, passou...
Dedico este título à mamãe,
Que tantos sacrifícios fez
Para que eu chegasse aqui ao apogeu,
Com o auxílio de vocês..."
Guardarei para sempre o seu retrato de Miss,
Com cetro e coroa.
E com a dedicatória que ela,
Com letra miúda, insistiu em fazer:
"Para que os olhos relembrem, quando teu coração infiel esquecer.
Um beijo,
Margô."
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